14 de abr de 2018

O Sacerdócio de Melquisedeque

O Sacerdócio Segundo a ordem de Melquisedeque
Jesus Cristo foi instituído sumo sacerdote, não segundo a ordem do judeu Arão, mas sim segundo a ordem de Melquisedeque, o rei gentio de Salém. Isto é muito significativo, pois a lei de Moisés estava restringida aos israelitas, e se a lei o estava, também o sacerdócio aarônico. Mas Melquisedeque nada tem haver nem com Abraão, nem com Isaque nem Jacó. Nem tampouco com Arão. Era um rei gentio, superior a Abraão ("antes que Abraão existisse eu sou"; o qual demonstra a superioridade de Cristo sobre Abraão, não só sua antecedência temporária), que ofereceu-lhe pão e vinho e o abençoou. Hebreus nos diz que "sem discussão alguma, o menor é abençoado pelo maior" (7:7).
De maneira que quando Deus institui como Sumo Sacerdote a seu Filho, não teve em mente a Arão (mesmo que feito depois de Arão, em pleno tempo da lei), mas sim a Melquisedeque. E com isto, Deus liga o seu sacerdócio com um gentio, indicando com isso que o seu ministério estará aberto para todos os homens.
A figura de Melquisedeque é muito misteriosa nas Escrituras. Não tem genealogia, nem aparecem mais dados além dos poucos que nos mostra Gênesis naquele incidente com Abraão. Hebreus, citando os Salmos, dá-nos um pouco mais de luz. Tudo, em conjunto, sugere-nos que é um notável. Quem, nos tempos de Abraão, podia ser maior que o patriarca, considerando que Deus tinha chamado a Abraão para que fosse o pai dos crentes, o primeiro na honrosa lista dos justificados pela fé?
A figura de Melquisedeque nos inspira muito respeito, o mesmo que sente o autor de Hebreus quando fala dele. E o mais significativo é que Cristo se associa com ele, e esta associação o assinala como superior a Arão, ao sacerdócio aarônico, e à lei. "Se, pois, a perfeição fora pelo sacerdócio levítico... que necessidade teria que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse chamado segundo a ordem de Arão?" (Hb 7:11). Aqui nos dá uma importante luz. O sacerdócio aarônico não podia fazer os homens perfeitos, pois o seu ministério era frágil e insuficiente. Por isso devia levantar um sacerdócio superior, "não conforme à lei do mandamento a respeito da descendência, mas sim segundo o poder de uma vida indestrutível" (Hb 7:16).
Devia ser um sacerdote "santo, inocente, sem mancha, afastado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus" e não como aqueles que deviam oferecer primeiro sacrifícios por seus próprios pecados. "Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos; mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constituiu ao Filho, perfeito para sempre" (Hb 7:28).
Melquisedeque significa Rei de Justiça, e era rei de Salém, que significa paz. Nele se reúnem a justiça e a paz. Não é isto o que Cristo, como sumo sacerdote, nos dá? A justiça, porque ele entrou no Lugar Santíssimo do santuário celestial por seu próprio sangue (Sumo Sacerdote e Oferenda, ao mesmo tempo), e a paz, porque "justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5:1).
Os céus se abriram para os gentios, em Cristo. Este bendito sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque nos introduziu nos céus, nos menciona no trono de seu Pai quando intercede por nós, e assegura apresentar-nos perfeitos para sempre. Louvado seja o seu Nome para sempre!