18 de jul de 2010



DAVE ROBERSON A Visão Que Me Impulsionou ao Ministério

A Visão Que Me Impulsionou ao Ministério
Com trinta anos de idade, eu ainda vivia com a imagem que havia construído no meu interior enquanto crescia. Eu nunca iria ser nada na vida. Eu não merecia nada além de punição. Eu nasci de novo e tinha uma grande fome e sede de Deus. Eu sabia em meu coração que havia sido chamado para pregar o Evangelho. Mas eu não conseguia ver como Ele poderia me usar ou até mesmo como iria me usar. Eu era um menino Santo, perdido na lei. Mas eu amava a Deus com todo o meu coração e Ele tinha misericórdia da minha alma. Ele me deu uma visão que me lançou em meu ministério integral. Essa visão não foi algo que experimentei porque eu havia comido tarde na noite passada; foi real. Jamais esquecerei isso. Nós havíamos nos mudado algumas vezes e estávamos morando em uma cidadezinha chamada Oakridge, onde continuei trabalhando na serraria local. Numa manhã bem cedo, acordei na Presença de Deus. Abri meus olhos, esperando ver o meu quarto como de costume. Ao invés disto, vi um grande auditório. Havia várias cadeiras de rodas na
plataforma e eu estava três fileiras atrás, à esquerda. Um pastor auxiliar estava conduzindo a adoração. Algo era eletrizante naquela reunião e de alguma maneira eu sabia que era a minha reunião. O pastor auxiliar voltou ao púlpito depois que o louvor e a adoração haviam acabado e disse, “agora o nosso evangelista...” enquanto falava, ele olhou diretamente para mim. Eu tinha a minha Bíblia aberta – aliás, estava aberta em Judas 20 e 21, a passagem que mais tarde iria lançar nosso ministério!
Vós, porém, amados, edificando-vos na
vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo,
Guardai-vos no amor de Deus, esperando a
misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo,
para a vida eterna.
– Judas 20, 21

Mas, quando comecei a me levantar, o pastor auxiliar virou-se e apontou para a cortina do palco. Uma mulher loira surgiu na plataforma. Era óbvio que ela estava cheia do amor de Deus, e a unção – o poder do Espírito Santo – fluía dela como mel. Era tão espesso e doce, que quase podia ser cortado! Eu me afundei na cadeira desacreditado. Eu sabia que aquela deveria ser a minha reunião.
A mulher pegou o microfone e ministrou a graça de Deus lindamente. Então, o poder de Deus desceu e todas as pessoas levantaram de suas cadeiras de rodas. O altar ficou repleto de pessoas confessando Jesus como Salvador, e o culto inteiro foi cheio de poder e unção. Quando tudo acabou, o resto da multidão desapareceu; apenas eu e essa mulher estávamos no auditório. Então ela olhou diretamente para mim e disse, “Eu não sei por que Deus me deu este tipo de ministério; algum de vocês homens deve ter falhado”. Saí da visão tremendo, acordei Rosálie e contei tudo o que havia testemunhado na visão. Decidi que não poderia mais viver do jeito que eu estava vivendo – dividido entre o meu chamado para pregar e os meus profundos sentimentos indignos. Dentro de mim eu estava sendo fortemente derrotado. Eu disse a minha mulher, “Eu tenho que atender ao meu chamado para o ministério – afundar, nadar ou afogar. Se nós comermos feijão, dormirmos embaixo da árvore, ou vestirmos as crianças com roupas de saco, você ainda vai comigo?”. Rosálie disse que sim. Então, juntos naquela manhã, ela e eu decidimos ir, não importa o que acontecesse, nós seguiríamos a Deus. Duas semanas mais tarde, pedi demissão do meu emprego para ir tempo integral ao ministério.

O Quarto de Oração

Tendo saído do meu emprego na serraria, eu não sabia o que fazer com o meu tempo. Então, pensei sobre a igrejinha que eu e Rosalie tínhamos começado há apenas alguns meses. (Embora eu ouvesse começado a igreja, eu pedia a um ministro de uma outra cidade que viesse toda semana para pregar. Naquela época, eu ainda não tinha coragem para pregar). Os cultos eram feitos numa construção antiga de um local para boliche. Eu tinha recentemente dividido um cômodo de 2 x 2 m² com divisórias, onde uma vez ali tinha sido uma cantina, transformando-o, assim, em um minúsculo berçário. Decidi que iria usar aquele quartinho como meu “quarto de oração”. Eu pensei que, de alguma maneira, se orasse a mesma quantidade de horas que normalmente trabalhava, Deus iria me “pagar”, suprindo as nossas necessidades. Eu não imaginava o quão difícil seria cumprir minha decisão de orar oito horas por dia. Naquela primeira manhã, eu entrei no quarto, fechei a porta, ajoelhei-me e comecei a orar em inglês: “Oh, Deus, agora eu estou tempo integral no ministério. Oh, Deus, mantenha nossa despensa cheia. Não permita que nossos filhos passem fome. Use minha vida, Deus, por favor, use-me!” (Passei muito tempo implorando a Deus. Eu era apenas um menino “Santo” que ainda não havia aprendido quase nada sobre a fé). Eu orei por tudo o que pude pensar: por todos os missionários ao redor do mundo que eu conhecia, e até mesmo passei um tempo amaldiçoando as baratas no quarto, ordenando que elas morressem em Nome de Jesus. Mas apesar de todo o meu esforço, eu esgotei as súplicas de oração em apenas quinze minutos. Então, apenas para sobreviver às longas horas que viriam pela frente, às quais eu me comprometi a orar, comecei a orar em línguas. Eu não comecei a orar em línguas porque sabia que era algo bom a fazer, mas a verdade é que eu nem sabia se era biblicamente correto! Algumas pessoas “santas” haviam me dito que eu não poderia orar em línguas quando eu quisesse, embora tenha ouvido de outras que eu poderia, sim, usar as línguas como linguagem de oração. Eu não tinha certeza de qual pensamento estava certo e tudo o que eu sabia é que tinha que ficar naquele quarto porque havia me demitido do meu emprego. Comecei a orar em línguas naquele primeiro dia, naquele quarto, apenas para matar as horas. Finalmente, a sirene da serraria tocou às dez horas. Era hora do intervalo do café! Corri até ao café, comi algumas roscas, e voltei rápido para o meu quarto de oração. Na minha cabeça, eu tinha que estar em posição para oração em quinze minutos – na mesma hora em que os trabalhadores da serraria recomeçavam seus trabalhos. Eu continuei orando em línguas. Orei o que pareciam várias horas, mas ainda nem era meio-dia! Então o apito da sirene da serraria me trouxe de volta à realidade do trabalho diário dos meus amigos e da escolha radical que eu tinha feito para mim mesmo. Era o intervalo do almoço para os trabalhadores da serraria e a escuridão do quarto parecia me fechar. Os meus antigos amigos de trabalho haviam passado aquelas últimas quatro horas à luz do Sol, cortando e acertando as madeiras que seriam transportadas para o mundo todo. Ao som da sirene, todos levavam suas marmitas e sentavam nos bancos para comer, relaxavam e contavam piadas. Eu sabia o que os homens estavam fazendo, mas eu não estava com eles. Será que eu realmente acreditava em Deus? Será que isto realmente funcionaria? Eu tinha de acreditar que sim.

Memórias da Busca por Respostas

A minha mente voltou ao culto daquela noite na igreja Pentecostal onde eu ouvi, pela primeira vez, com uma mistura de apreensão e entusiasmo, a revelação do batismo no Espírito Santo e o dom das línguas que acompanha essa experiência. Rosalie e eu discutimos o que havíamos ouvido quando voltávamos para casa, enquanto nossos três filhinhos dormiam juntos no banco de trás do nosso Fusca. Rosalie havia recebido o batismo do Espírito Santo no fim de sua adolescência. Eu comecei a imaginar se esta experiência poderia ser a resposta para minha vida de frustração e arrependimento contínuo dos pecados dos quais eu não conseguia me livrar. Parecia que para muitos cristãos a transformação ocorria imediatamente após nascerem de novo. Era isto verdade? E se fosse, por que parecia ser tão difícil a minha mudança? Poderia uma linguagem de oração, orada
através de mim pelo Espírito Santo, ser a resposta que eu precisava para passar aquela linha invisível e verdadeiramente me tornar um vencedor? Logo, voltei para casa a fim de me juntar a minha mulher e a meus meninos, após o desagradável fim de tarde daquela batalha, que havia resultado numa falha espiritual e pessoal. O olhar de decepção no rosto de Rosálie era o suficiente para eu desistir da influência insignificante dos poucos drinques que eu havia tomado com o pessoal. Um forte senso de arrependimento surgiu no meu interior e eu estava pronto para entrar em desespero e auto-compaixão. Rosálie pôs as crianças na cama enquanto eu estava sentado na cozinha, cabisbaixo de vergonha e remorso. Então, ela veio até mim e silenciosamente pegou minhas mãos, como se estivesse dizendo que estava comigo nesta batalha. Daquela noite em diante, Rosalie e eu começamos a orar juntos com mais freqüência, e o meu desejo de conhecer sobre o batismo no Espírito Santo continuou a crescer. Freqüentemente, falávamos sobre este dom. Eu estava muito faminto por realmente conhecer Deus, muito faminto pelas respostas para minhas inúmeras perguntas. Nestas alturas eu entendi Hebreus 11:6:
De fato, sem fé é impossível agradar a Deus,porquanto é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.

Poderia ser esta oração no Espírito uma parte do que é buscar a Deus? Quando eu me ajoelhei naquele quarto orando em línguas, a resposta para aquela pergunta parecia a mais importante de todas. Voltei do meu mundo de lembranças, pensando, O que eu estou fazendo neste quartinho,
quando pela lógica eu deveria estar usando as minhas oito horas na serraria local? Eu estava louco, ou havia começado uma verdadeira aventura nas profundas águas de Deus? ‘Usando Meu Tempo’ Com Deus As respostas para estas perguntas ainda estavam no futuro quando eu comecei neste primeiro dia a orar no quarto – usando meu tempo com Deus. Minha mente rodopiava com perguntas, dúvidas e ansiedade enquanto eu orava no Espírito. Poderia um homem realmente “ir
mais profundamente em Deus” deliberadamente – simplesmente porque ele quer? Àquelas horas no quarto eram longas! Eu orava em línguas, o que parecia uma hora, e então olhava no meu relógio: “Oh, não, só se passaram cinco minutos!”. Então eu começava a orar de novo. Nos meses seguintes eu me vi obediente ao meu quarto, assim como antes tinha que obedecer ao meu emprego na serraria. Quando a sirene sinalizava o começo do trabalho diário, eu estava sempre em posição,
ajoelhado, pronto para orar. Todos os dias as horas pareciam se arrastar, mas eu continuava firme. Eu decorei cada descoloração do carpete e da parede. Familiarizei-me tão bem com aquele quarto de oração, que, até hoje, posso pegar um lápis e papel e desenhar cada detalhe, minuciosamente. Eu me sentia como em uma prisão. Do meu quarto, podia sentir o cheiro da madeira queimando, quando os serrotes cortavam as altas árvores. Eu podia imaginar meus amigos enterrando suas colheres nos caldeirões cheios de comida até a boca ou bebericando suas xícaras de café bem quente. Eu estava particularmente tendo um dia “daqueles”. Por que eu saí do meu emprego para fazer isso? O que esta suposta linguagem sobrenatural fez por mim até agora? O meu homem espiritual se manifestou e disse a Palavra para as minhas emoções inconstantes: “Deus é um galardoador daqueles que o buscam diligentemente” (Hb. 11:6). Então, na minha mente passaram contínuas imagens das minhas falhas aparentemente sem fim. Eu me achei engasgado com as emoções que aquelas lembranças me trouxeram. “Oh Deus”, eu clamei, “que esta palavra seja verdadeira!” Gradualmente a paz começou a acalmar minha mente turbulenta. Deus não havia me dito para desistir do meu emprego e orar no Espírito por oito horas todos os dias. Foi uma decisão que eu tomei em um momento de desespero. Eu queria mais de Deus, mas não estava certo de como conseguir. Por ler a Palavra, eu havia aprendido que a minha linguagem de oração foi me dada para a minha edificação e que eu podia orar mistérios, mas eu não havia tido o entendimento do que realmente aquelas verdades queriam dizer. Mesmo assim, eu estava determinado que, se fosse possível edificar-me por orar em línguas até que a minha mente fosse capaz de receber mistérios divinos, era isto o que iria fazer.